Mateus 5
O grego, o lema, a morfologia e o número de Strong estão completos em todas. O que falta é só a palavra em português da forma exata, e ela fica em branco de propósito: chutar tradução por semelhança gera erro que você acredita. João está 100% conferido.
δύναμαι é conseguir, ter força para fazer. ἐξουσία é direito, autorização recebida de outro. ἰσχύω é força física, vigor. κράτος é domínio, poder exercido. Em português tudo vira "poder". Quando o texto diz que alguém recebeu poder, a pergunta é qual: se é ἐξουσία, foi dado por alguém; se é δύναμις, é capacidade. Neste livro: δύναμαι 27× (a primeira em Mateus 3:9); ἐξουσία 10× (a primeira em Mateus 7:29); ἰσχύω 4× (a primeira em Mateus 5:13).
οὐδείς é a negação total: nenhum, nem um. Vira "ninguém" quando fala de gente e "nada" quando fala de coisa, o que em português é obrigatório. O que se perde é a repetição: quando o grego martela a mesma palavra num parágrafo, o português alterna e o efeito de insistência some. Neste livro: "ninguém" em 9 versículos (o primeiro em Mateus 6:24); "nada" em 9 versículos (o primeiro em Mateus 5:13). Nos dois casos a palavra grega é οὐδείς.
κρίσις é o ato de julgar, o processo. A tradução escreve ora "juízo", ora "julgamento", e as duas convivem no mesmo livro. Vale saber que existe ainda uma terceira palavra próxima, κρίμα, que é a sentença, o resultado, e que muitas vezes vira "condenação". Três palavras portuguesas para duas gregas, embaralhadas. Neste livro: "juízo" em 5 versículos (o primeiro em Mateus 11:22); "julgamento" em 3 versículos (o primeiro em Mateus 5:21). Nos dois casos a palavra grega é κρίσις.
ἀγαπάω e φιλέω são os dois verbos gregos de amor, e a tradução escreve "amar" nos dois. φιλέω é o afeto que nasce do laço: da família, do amigo, do hóspede. ἀγαπάω era palavra mais pálida no grego comum e foi enchida de conteúdo novo pelos escritores do Novo Testamento. É a alternância que está por baixo do diálogo de João 21. Neste livro: ἀγαπάω 8× (a primeira em Mateus 5:43); φιλέω 5× (a primeira em Mateus 6:5).